Estresse ocupacional: veja 6 maneiras de combater esse mal

O estresse ocupacional é um dos principais causadores de afastamentos no trabalho, além de ser um grande inibidor da produtividade. E não se trata de um problema isolado. As incidências desse problema estão tomando ares de epidemia.

Segundo pesquisa realizada pelo braço brasileiro da International Stress Management Association (Isma BR), nove em cada dez trabalhadores no país têm sintomas de ansiedade em diferentes níveis.

E mais: 47% da nossa força de trabalho sofre de depressão, doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), será a patologia mais incapacitante para a atividade laboral até 2020. Na América Latina, nenhum país registra maior número de trabalhadores depressivos como no Brasil.

Saber identificar o estresse ocupacional e desenvolver métodos para combatê-lo é missão da área de gestão de saúde corporativa das organizações. Confira a seguir algumas sugestões de iniciativas que podem ajudar a sua empresa nessa tarefa.

Estresse ocupacional

Identificar o mais rápido possível o estresse ocupacional entre os colaboradores é essencial para contornar a situação e reduzir os seus malefícios. O estresse ocupacional pode ser caracterizado como um conjunto de reflexos emocionais, comportamentais e fisiológicos que o individuo apresenta em resposta a situações ocasionadas no ambiente de trabalho.

Embora varie em cada indivíduo, os fatores responsáveis por disparar esse problema estão relacionados a questões como carga horária excessiva, falta de reconhecimento pela chefia, baixa afinidade com as tarefas exercidas, clima organizacional desfavorável, entre outros.

Além do aumento do absenteísmo e da queda de produtividade, o estresse ocupacional também tem forte reflexo fora da empresa, seja em sua saúde de forma geral, seja no seu ambiente familiar e social. Por isso é essencial preveni-lo e combatê-lo.

Práticas de combate ao estresse ocupacional

1. Invista em pesquisa de clima organizacional

O primeiro passo para combater o estresse ocupacional é implementar uma pesquisa de clima organizacional o mais completa possível. Para obter subsídios de forma mais assertiva, o ideal é que o levantamento permita o anonimato dos participantes, evitando constrangimentos que os faça omitir informações relevantes.

Entre os aspectos cujos reflexos podem ser medidos por meio da pesquisa estão a identificação com as tarefas executadas, a compreensão do seu papel na organização, a percepção sobre a remuneração recebida, o relacionamento com colegas e chefias e o nível de satisfação geral com o trabalho.

Com base nessa radiografia, é possível identificar os fatores que têm provocado o maior estresse entre os colaboradores e em quais áreas ou setores eles estão mais expostos aos riscos de serem afetados.

Os resultados da pesquisa de clima serão o ponto de partida para o planejamento de uma proposta de atuação visando combater os fatores que disparam o estresse ocupacional na organização. É importante que o levantamento se transforme em um processo periódico e estratégico para o RH na empresa, tendo os seus resultados atualizados constantemente.

2. Analise o motivo dos afastamentos por ordem médica

Sempre que um trabalhador é afastado de suas atividades por motivos médicos, esse afastamento é registrado de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial da Saúde. As doenças psiquiátricas são identificadas como CID-F.

É preciso monitorar e acompanhar esse tipo de afastamento junto à área responsável pela gestão de saúde e segurança do trabalho da empresa. Quanto mais efetivo e rápido for o suporte ao trabalhador afetado, menor será o reflexo dessas patologias em sua saúde e mais curto será o afastamento.

Devido às características do tratamento e da subjetividade dos diagnósticos, os afastamentos motivados por transtornos mentais costumam ser prolongados e penosos, tanto para o trabalhador quanto para a empresa.

3. Implemente ações que promovam a qualidade de vida

Além de atuar com foco nas causas do estresse ocupacional identificado por meio da pesquisa de clima, é preciso investir em ações que ampliem o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores de forma geral.

Aqui são válidos os programas que incentivem a alimentação saudável, promovam a adesão dos colaboradores à prática de esportes e a sessões de ginástica laboral, mantendo o acompanhamento médico periódico.

4. Incentive comportamentos saudáveis

Há uma série de medidas eficazes para o combate do estresse referentes a rotinas e comportamentos que extrapolam o ambiente de trabalho. São os bons hábitos que devem ser adotados pelos colaboradores, individualmente, que os preparam para enfrentar melhor os fatores de risco.

À empresa, cabe desenvolver estratégias de estímulo à adoção desses bons hábitos. A boa alimentação é um deles, assim como a organização da rotina, de forma a garantir um bom período de sono, entre outros. As pessoas também precisam reservar momentos de desconexão com sua atividade laboral. Desenvolver atividades relaxantes e prazerosas de forma periódica é uma forma de recarregar as energias e se preparar para novos desafios.

5. Avalie a adoção de terapias de meditação na empresa

Uma atividade que tem ganhado adeptos e apresentado bons resultados é a terapia conhecida como mindfulness. Trata-se de um tipo de terapia baseada em técnicas de meditação que desenvolve a capacidade de concentração extrema.

Além de auxiliar os praticantes a manterem o foco em determinada atividade, o mindfulness tem sido utilizado para reduzir a ansiedade, ativar a memória e a criatividade. Aplicar a técnica como um momento de relaxamento entre as atividades laborais pode trazer bons resultados.

6. Identifique e combata o presenteísmo

Em contrapartida aos casos de afastamentos por causas mentais ou emocionais, há um fenômeno crescente no ambiente corporativo que faz os colaboradores comparecerem todo dia ao trabalho com produtividade praticamente nula.

Chamado de presenteísmo, esse fenômeno também é reflexo do estresse ocupacional e precisa ser medido por meio de uma avaliação dos níveis de insatisfação do indivíduo e de produtividade. É uma forma de identificar indícios de problemas maiores e planejar como combatê-los de forma eficaz.

Estas são algumas das alternativas que as empresas podem e devem lançar mão para combater o estresse ocupacional. Trata-se de um cuidado de grande reflexo, tanto na qualidade de vida dos colaboradores quanto na produtividade da organização.

Com menos ansiedade e menos depressão entre os seus colaboradores, é possível reduzir o absenteísmo e os afastamentos previdenciários, evitar doenças ocupacionais e elevar a satisfação geral com o trabalho, com reflexos positivos na produtividade, e aumentar o sentimento de pertencimento da sua força de trabalho à organização.

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